Daqui do 7º andar eu consigo ver muita coisa e todas elas sempre me fazem refletir um pouquinho. Deve ser coisa de quem gosta de escrever, achar tudo meio poético no fim.


Hoje mesmo, em poucas horas, vi o céu se escurecer, vi a chuva bater na Serra enquanto no litoral nenhuma gota queria descer. Daqui eu vi a chuva chegar, deixar tudo cinza e por fim "esbranquecer". Vi um casal sentar na calçada, sem pressa, pra tomar um banho de chuva enquanto pessoas e carros apressados corriam pra fugir do caos e se proteger.

Foi bonito. Foi um ponto singelo de alegria no meio de uma cidade tão corrida e caótica nesse período do tempo. Eu escrevo de Torres, talvez a maior praia do litoral gaúcho, no meio da tarde de 31 de dezembro, onde todos esperam para dar tchau pra 2016.

Eu vejo uma feira que se chama Samambaia e muita gente frequentando a piscina de um hotel chique que tem aqui perto. Eu também vejo uma sorveteria igualmente chique que não me lembro de ver no outro verão que estive aqui.

Torres é engraçada. Te faz querer morar aqui mesmo acordando super mal pelo calor do abafamento dos dias. Esse sétimo andar é esquisito, porque te faz refletir sobre a vida de uma maneira que outra janela não conseguiria fazer. Daqui eu vejo as pessoas, mas acho que nem todas essas pessoas me veem. Só estão vivendo suas vidas, sem a preocupação do que os outros vão dizer, porque não sabem que estão sendo vistas.

É assim mesmo que deveria ser.

Eu também ouço buzinas de gente que tem pressa de chegar em algum lugar que, eu presumo, nem sabem do porquê de ir.

O ser humano é esquisito, mas ainda assim dá pra refletir bastante sobre ele. Como que alguém consegue refletir sobre a vida vendo correria, engarrafamento, gente sem tempo e chuva caída? Eu não sei, mas, aqui do sétimo, isso é bem possível.

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Escrevi esse texto pouquíssimo tempo depois de ter escrito este aqui. Por isso da familiaridade no que eu via naquele instante.

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