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De todos os posts difíceis que já escrevi, acredito que esse seja o mais complicado que vou deixar aqui no blog. 

Por que é o último.

Eu não sei se tu me conhece ou se caiu no blog só agora e justo aqui, mas esse post vai ser longo, então já se prepare. 

Esse blog eu criei no final de 2011, depois de uma dificuldade imensa de definir um nome pra ele. Aqui botei todo o meu coração e dividi momentos que realmente quis escrever sobre. Muitas coisas foram faladas, muitos projetos foram surgindo, muitas boas intenções eu deixei aqui, tenham certeza.

Mas mesmo sendo pequeno, o blog ficou grande demais pra mim. São quase 5 anos de blog e agora muita gente já sabe que "A Guria de Moletom" sou eu. Não que eu ache isso ruim, é legal, mas agora me soa invasivo. Eu escrevo sabendo que uma galera conhecida vai me ler pq sabe quem escreveu tudo isso.

É muito difícil falar sobre tua própria vida ou sobre tua visão de mundo quando os leitores te conhecem fora desse ambiente. Assusta, sinceramente, e eu não quero fazer isso com esse espaço que eu amo e amei por tantos anos.

Mas a verdade é que os meus propósitos e inspirações que foram a razão do blog ser tão bonito pra mim meio que foram furtados e já não me acompanham nesse momento. Se vocês lerem meus últimos posts vão ver o quão reflexiva e triste vai ser a leitura. O Guria de Moletom não era isso, ele não era um lugar para (apenas e somente) se lamentar.

E a cada dia fica mais difícil fazer isso, agora que vocês sabem que eu me sinto meio mal com minhas lamentações sinceras sendo lidas ao lado do fato "sabem quem eu sou".

"Demorou 5 anos pra perceber isso, Carina?!", não, eu sempre soube que isso eventualmente acontecia, mas como eu não trazia tantos temas tristes, eu não me importava tanto. Só sempre sentia vergonha quando me diziam que tinham lido o meu blog. Acho que isso acontece com boa parte de quem é blogueiro.

Eu quero lembrar do Guria como uma parte boa da minha vida, que foi lar dos meus motivos mais viscerais pra escrever e, consequentemente, pra viver. E não como um mural aberto e triste, pronto pra ser julgado.

Se tu prestar atenção, vai ver que os mais de 200 posts públicos que escrevi viraram menos de 40 nesse momento. Isso se não tiver sobrado só esse post aqui que você está lendo agora.

Eu nunca consegui desapegar desse bloguinho, do seu nome (que é totalmente eu, sério), da sua história e importância na minha vida. Mas o motivo que me fez criá-lo se perdeu. E não é justo que eu soterre as coisas boas que vivi e dividi aqui, com toda essa avalanche ruim que tem despencado.

Devo ser a única blogueira que sente receio de ser lida e prontamente lembrada quando alguém fala do seu blog. "Guria de Moletom não é o blog da Carina?". Sim, é. Sempre será.

Mas por hora, nada mais será "eu". Estou me afastando de tudo de ruim que a internet tem causado - e aqui eu poderia fazer um texto enorme só sobre esses motivos.

Eu sempre me senti "em casa" quando voltava aqui pro blog e até me dava certa paz apenas olhar para o layout aconchegante dele. Vai ser um passo bem difícil não postar mais nele, pq eu realmente sinto necessidade de escrever quando estou angustiada. Isso não pode ser só um poço de angústias.

Eu não pretendo excluir o blog e também não garanto que sumirei pra sempre dele, pq ele é a minha casa e, por mais que isso pareça só drama e besteira pra você, é algo muito difícil e doloroso pra mim.

A Carina que criou o blog infelizmente não está existindo mais, e os motivos dela também não. Então eu não posso continuar assim.

Me desculpa todo mundo que se engajou com o projeto do "Run to the blog" e só viu 3 posts a respeito (mesmo a ideia sendo de 10 publicações) e também obrigada todos vocês que me acompanharam durante esses quase 5 anos de Guria de Moletom. Eu realmente gostaria que isso fosse diferente, mas não é justo comigo transformar o blog numa coisa automática e negativa só pra manter a frequência de conteúdo publicado.

Como eu disse, o Guria de Moletom não era pra ser assim. Ele foi algo bom demais pra terminar seus dias nisso. Enquanto eu releio tudo isso antes de postar, sinto uma vozinha dizendo pra eu não fazer isso e não me afastar ou desistir daqui (até ideias de posts novos estão surgindo nesse momento, que beleza). Eu realmente não gostaria de fazer isso, mas se faz necessário - infelizmente.

Eu só sei ser a "guria de moletom", e fui isso a vida inteira. Agora, pelo menos nesse momento (sem prazo de validade), eu vou ter que ser só a Carina - e espero que seja suficiente.

É usando do gif de despedida de How I Met Your Mother (outro pedaço extremamente importante da minha vida) que eu lhes digo até logo. Até logo, sim, pq eu nunca fui boa com mudanças e perdas, lembram?

É com o coração cheio de tristeza e partido em mil pedacinhos que eu lhes digo: Tchau, gente - e obrigada. ♥


3 Comentários

  1. Carina... Não sei se você vai ver esse comentário, mas como disse que esse blog é sua casa, acredito que ainda apareça aqui pra dar uma espiada, então vou deixar meu comentário. Eu tenho meu blog há muito tempo, e quando criei ele era uma adolescente sonhadora e desiludida por amores platônicos (e bem dramática)... Escrevi muitas coisas aleatórias e fiquei muito tempo sem escrever nada... Hoje resolvi dar uma olhada no meu perfil do blog, depois de procurar no google dicas de limpeza e cair no "blogspot". No meu pergil, apareceu a lista de blogs que eu sigo e lá estava o seu, bem no comecinho da minha lista. Entrei nele e vi sua despedida...
    Não lembro como conheci seu blog, nem por que comecei a seguí-lo, mas me identifiquei e me entristeci com seu texto de despedida, mesmo sem acompanhar fielmente suas postagens. Sinceramente, fiquei na torcida para que você volte a escrever ou crie outro blog, em que possa se expressar sem medo do que vão comentar...
    Enfim, uma última consideração: Nunca deixe de ser quem você é por medo do que os outros vão pensar... Afinal os outros são só os outros e não podem viver sua vida pra você. (sei que não é bem esse o caso, mas é um conselho que serve pra mim também, e é bom eu me lembrar disso!)
    Sorte, felicidades e um tchau (de preferência até breve) :)

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    1. Menina, tu não sabe como foi bom ler esse comentário! Eu de fato li ele no dia em que tu me enviou, mas agora que voltei com o blog resolvi responder decentemente. Muito muito obrigada por ter me enviado esse teu comentário tão pessoal mesmo sem me conhecer. Foi MUITO importante. Obrigada! ^^

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